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Archive for junho \24\UTC 2010

No último dia 21 eu e a minha amiga Eliane tivemos uma experiência fantástica na Escola Municipal Dom Orione. As professoras Rosa e Rosali do curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e seus amáveis alunos nos presentearam com um grata receptividade. Cumprindo o propósito do estágio nós elaboramos uma aula a partir da leitura do poema “Trem de Ferro” de Manuel Bandeira. Os estudantes adoraram! A partir da leitura da poesia, nós discutimos sobre o poeta, o contexto de produção, a sonoridade dos versos, o uso de regionalismos, o aspecto formal do poema, dentre outras observações. Depois nós passamos a versão de Tom Jobim para essa poesia e pedimos aos alunos que escrevessem uma carta na qual pudessem relatar uma experiência de viagem para um amigo que tinha ficado no interior. Mas, surpreendentemente, eles nos fizeram a proposta de escrever uma carta para o Manuel Bandeira para relatar o quanto eles gostaram da poesia e o quanto eles se identificaram com a experiência de migrar do interior para a cidade grande. É claro que nós aceitamos a proposta deles e, com alegria, fomos transcrevendo no quadro a carta coletiva ditadas por eles mesmos. Vejam que maravilha:

Belo Horizonte, 21 de junho de 2010.

Querido Manuel Bandeira e sua família,

Ficamos muito felizes em ler sua poesia “Trem de Ferro”. Ela é muito bonita e interessante porque conta um pouco da sua história e do seu lugar.

Nós também já vivenciamos isso. Sentimos muita saudade do cheiro da terra molhada, dos cantos dos passarinhos, dos cafezais, de sentir o gosto do café maduro e de sentir o orvalho do amanhecer.

Temos boas lembranças do canto do carro de boi, de andar a cavalo, das galinhas ciscando no terreiro, das borás de fubá, dos doces quentes do engenho, do café feito no fogão á lenha, das pamonhas e cuscuz.

Ai, comer uma verdura fresquinha da horta, as coisas gostosas da vovó… As pessoas do interior são tão boas! Há muito respeito e tranqüilidade lá. Até o céu é diferente! Nós caminhamos com a claridade da lua e das estrelas, enxergando o trilhozinho até a porteira. Pela estrada nós vamos pegando florzinhas rosinhas ou amarelinhas.

Manuel Bandeira, foi um prazer vivenciarmos esse momento. Gostaríamos de tê-lo conhecido.

Abraços,

Alunos das professoras Rosa e Rosali da Escola Municipal Dom Orione.

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Trem de Ferro

Manuel Bandeira

Café com pão

Café com pão

Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim

Café com pão

Agora sim

Café com pão

Voa, fumaça

Corre, cerca

Ai seu foguista

Bota fogo

Na fornalha

Que eu preciso

Muita força

Muita força

Muita força

Oô..

Foge, bicho

Foge, povo

Passa ponte

Passa poste

Passa pato

Passa boi

Passa boiada

Passa galho

De ingazeira

Debruçada

Que vontade

De cantar!

Oô…

Quando me prendero

No canaviá

Cada pé de cana

Era um oficia

Ôo…

Menina bonita

Do vestido verde

Me dá tua boca

Pra matá minha sede

Ôo…

Vou mimbora vou mimbora

Não gosto daqui

Nasci no sertão

Sou de Ouricuri

Ôo…

Vou depressa

Vou correndo

Vou na toda

Que só levo

Pouca gente

Pouca gente

Pouca gente.

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