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Olá Núbia,

Gostaria de lhe dizer que sou muito grato a você. Agradeço enormemente por toda a prontidão que você sempre teve em me ajudar, como também a ajudar meus colegas. Sei que em alguns momentos, discordamos em alguns aspectos, mas nenhum deles supera quão bom foi para mim, estudar literatura com você. Você sabe muito bem, que eu DETESTAVA literatura, mas você me fez GOSTAR. Claro que não sou apaixonado por literatura, mas se hoje eu leio alguma obra e dela consigo fazer uma análise mais crítica e não só uma simples leitura, foi porque você sempre me “forçou” e me incentivou dizendo que eu era capaz.

Sei que não sou o melhor aluno, nem tenho pretensão de ser, portanto, peço desculpas pelos momentos que me comportei como um adolescente, mas espero que me entenda, porque ninguém é perfeito. Amadureci muito sendo seu aluno. Eu esperava muito que você fosse nossa professora de Literatura Infantil, mas a vida traçou outros rumos para nós. Mas, obrigado por toda atenção que você nos deu durante todo o tempo que você esteve na Faculdade Pitágoras.

Obrigado porque você é uma das raras professoras que se preocupam de fato com seus alunos. Obrigado por sempre nos encaminhar oportunidades de estágio, obrigado por querer sempre que nós sejamos melhores do que somos. OBRIGADO !!

Uma poesia de uma grande poeta eu dedico a você!

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles

Caros alunos,

Agradeço a todos vocês pelo carinho, dedicação, e especialmente por estarem sempre contribuindo com o meu aprendizado. Nossa relação é uma via de mão dupla. Agradeço pelos momentos que passamos juntos, momentos duros, difíceis, alegres, empolgantes, emocionantes… Tivemos toda  a sorte de sentimentos… Ainda bem que é assim… que vivemos tudo isso intensamente. Ninguém poderá dizer que um dia passamos sem sermos percebidos pela FAP. Pode ser estranho, mas eu não gostaria nunca de ser unanimidade entre vocês, pois acredito nas diferenças, creio que a multiplicidade é muito mais rica que a homogeneidade. Enfim, é bom saber que deixei sementes que um dia certamente germinarão, brotarão e levarão saber e consciência a nossa juventude. Fazer parte dessa história é um prazer imensurável… E a cada dia, mesmo com os percalços que encontro, sei que vale a pena…. vale a pena cada vez que encontro em vocês um leitor vibrante e apaixonado. Cada vez que ouço colocações pertinentes e críticas a respeito dos assuntos que estudamos ou quando percebo a evolução nos textos produzidos por vocês… Enfim, por cada tijolo que colocamos dia a dia em nosso muro do conhecimento… por cada um deles… vale a pena!!! Se eu quero continuar fazendo isso? Dando aulas? É só o que sei fazer… porque no final isso é um grande aprendizado para mim e ainda há momentos de muita diversão!!!

Um forte abraço a cada um de vocês!!!

Continuem essa jornada com a mesma dedicação de hoje e sempre…

Núbia Ramalho

No último dia 21 eu e a minha amiga Eliane tivemos uma experiência fantástica na Escola Municipal Dom Orione. As professoras Rosa e Rosali do curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e seus amáveis alunos nos presentearam com um grata receptividade. Cumprindo o propósito do estágio nós elaboramos uma aula a partir da leitura do poema “Trem de Ferro” de Manuel Bandeira. Os estudantes adoraram! A partir da leitura da poesia, nós discutimos sobre o poeta, o contexto de produção, a sonoridade dos versos, o uso de regionalismos, o aspecto formal do poema, dentre outras observações. Depois nós passamos a versão de Tom Jobim para essa poesia e pedimos aos alunos que escrevessem uma carta na qual pudessem relatar uma experiência de viagem para um amigo que tinha ficado no interior. Mas, surpreendentemente, eles nos fizeram a proposta de escrever uma carta para o Manuel Bandeira para relatar o quanto eles gostaram da poesia e o quanto eles se identificaram com a experiência de migrar do interior para a cidade grande. É claro que nós aceitamos a proposta deles e, com alegria, fomos transcrevendo no quadro a carta coletiva ditadas por eles mesmos. Vejam que maravilha:

Belo Horizonte, 21 de junho de 2010.

Querido Manuel Bandeira e sua família,

Ficamos muito felizes em ler sua poesia “Trem de Ferro”. Ela é muito bonita e interessante porque conta um pouco da sua história e do seu lugar.

Nós também já vivenciamos isso. Sentimos muita saudade do cheiro da terra molhada, dos cantos dos passarinhos, dos cafezais, de sentir o gosto do café maduro e de sentir o orvalho do amanhecer.

Temos boas lembranças do canto do carro de boi, de andar a cavalo, das galinhas ciscando no terreiro, das borás de fubá, dos doces quentes do engenho, do café feito no fogão á lenha, das pamonhas e cuscuz.

Ai, comer uma verdura fresquinha da horta, as coisas gostosas da vovó… As pessoas do interior são tão boas! Há muito respeito e tranqüilidade lá. Até o céu é diferente! Nós caminhamos com a claridade da lua e das estrelas, enxergando o trilhozinho até a porteira. Pela estrada nós vamos pegando florzinhas rosinhas ou amarelinhas.

Manuel Bandeira, foi um prazer vivenciarmos esse momento. Gostaríamos de tê-lo conhecido.

Abraços,

Alunos das professoras Rosa e Rosali da Escola Municipal Dom Orione.

Trem de Ferro

Manuel Bandeira

Café com pão

Café com pão

Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim

Café com pão

Agora sim

Café com pão

Voa, fumaça

Corre, cerca

Ai seu foguista

Bota fogo

Na fornalha

Que eu preciso

Muita força

Muita força

Muita força

Oô..

Foge, bicho

Foge, povo

Passa ponte

Passa poste

Passa pato

Passa boi

Passa boiada

Passa galho

De ingazeira

Debruçada

Que vontade

De cantar!

Oô…

Quando me prendero

No canaviá

Cada pé de cana

Era um oficia

Ôo…

Menina bonita

Do vestido verde

Me dá tua boca

Pra matá minha sede

Ôo…

Vou mimbora vou mimbora

Não gosto daqui

Nasci no sertão

Sou de Ouricuri

Ôo…

Vou depressa

Vou correndo

Vou na toda

Que só levo

Pouca gente

Pouca gente

Pouca gente.

Núbia Ramalho

Tenho muitas lembranças do meu tempo de escola, dentre elas escolhi uma muito especial para contar a vocês. Acredito que seja mais do que uma lembrança, no fundo creio que possa ser uma lição para todos nós.

No início dos anos 80 conheci a Clara Luz, uma linda fadinha que adorava inventar suas próprias magias. Encontrei a fadinha nas páginas do livro didático de Português que continha trechos da obra da autora Fernanda Lopes de Almeida, A fada que tinha idéias, 1971. Lembro-me de que a primeira história que li foi “Chuva Colorida”.  Contrariando a todos os modelos embolorados das mágicas tradicionais, Clara realizava suas idéias de criação e fazia a chuva cair colorida, brincava de modelagem com as nuvens desenhando bichos no céu, inventava bolinhos de luz e escorregava no arco-íris. O lema da fadinha era inventar coisas, “quando alguém inventa alguma coisa, o mundo anda. Quando ninguém inventa nada, o mundo fica parado”. Eu ficava saltando as páginas do livro de português e só me detinha naquelas em que havia alguma história da Clara Luz, foi assim até o dia em que uma das professoras me deu o livro de presente. Então eu pude mergulhar no reino mágico das fadas, para mim representou uma possibilidade de fugir da realidade. Escapei muitas vezes do mundo real para me refugiar nas páginas do livro. De certa forma era a maneira que encontrava para driblar as privações que minha família passava naquela época. Como a Clara eu queria ter o poder de inventar coisas, queria poder fazer minha cama feia e velha se transformar em uma cama macia, com colchas lindas e coloridas. Queria ter uma varinha mágica para modificar a vida da minha família, queria fazer desaparecer aquele barracão escuro, mofado e com paredes descascadas, dormir ali e acordar em uma casa branca com janelas bem grandes para o sol entrar pelas manhãs. Mas eu descobri que não existe mágica capaz de transformar as coisas assim de um momento para o outro. Nós podemos transformar as coisas com estudo, trabalho e determinação essa é a fórmula mágica que encontrei anos mais tarde para mudar minha vida. Nenhum membro da minha família havia concluído um curso superior, eu fui a primeira, porque nunca deixei de acreditar nos meus sonhos nem de buscá-los onde quer que fosse.

Jamais imaginei estar aqui na UFMG e compartilhar um pouco da minha história com vocês. Confesso que estive relutante em escrever minhas memórias, mas agora depois de colocar no papel minhas lembranças me sinto vitoriosa. Venho de uma família humilde, do Vale do Jequitinhonha, meus pais não estudaram e nunca exigiram que os filhos o fizessem. Mas eu insistia e de tanto persistir aqui estou.

Ainda existe em mim muito daquela meninha que queria ser a Clara Luz… Mas a menina que acreditava em fadas deu lugar a uma mulher que acredita em si mesma porque a fada passou a existir dentro dela.